Hoje o livro The Negro Travelers’ Green Book felizmente parece absurdo. Escrito por Victor H. Green retrata a face cruel da segregação racial nos EUA, indicando cidades e hotéis onde era seguro para “pessoas de cor” se hospedarem. Especialmente no sul do pais – região mais atrasada e racista.

E nesta realidade pesada, acompanhamos a road trip do genial músico Dr. Don Shirley (Mahershala Ali) e do seu motorista e ajudante Tony Lip (Viggo Mortensen) pelo “down south” dos EUA, em uma turnê de quase 9 meses.

Personagens mais antagônicos, impossível.  Além da cor da pele – que pelo contexto se torna relevante – temos de um lado um homem culto, inteligente e rico e do outro um sujeito bronco, meio ignorante e pobre. Mas o que a princípio poderia conduzir a trama para o previsível “encontro no meio do caminho“, com Tony se transformando em um sujeito menos tosco e Don menos elitista, surpreende a platéia ao apresentar facetas diferentes dos personagens onde os dois ensinam e aprendem um com o outro ao longo da viagem.

E a forma como estas diferenças e a alternância sobre quem é o frágil e quem é o forte do relacionamento é o grande lance do filme.

Na hilária cena da carta, vemos um Tony quase infantil, sendo orientado por um Don professoral em como escrever uma simples mensagem para a esposa.

Mais tarde, na emocionante cena onde ambos discutem na chuva – vemos os opostos, com Don fragilizado e um Tony com uma sensibilidade e empatia impressionantes. Como se o primeiro fosse o ignorante e o segundo o mestre em auto-conhecimento.

As mais de duas de horas de filme passam rápidas, mesclando diálogos hilários outros muito emocionantes.Não há o que falar dos dois atores além de elogios. Indicados ao Globo de Ouro e ao Oscar.

Peter Farelly fez seu melhor filme e provou que não é apenas diretor de comédias besteirol com seu irmão.

E o roteiro, apesar de algumas críticas de ter “suavizado” a questão racial, também foi indicado ao Globo de Ouro e ao Oscar.

Green Book é um dos melhores filmes do ano, que te faz rir, se emocionar e refletir e talvez até chorar. Vale cada minuto do seu tempo.

Nota Cinectus: 8,5

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Cinema, Criticas