Mae! é perturbador, incômodo, tenso, angustiante e surreal! Se você vai para o cinema já conhecendo os trabalhos passados do diretor Darren Aronofsky, você vai gostar bastante do resultado. É um triller dramático de horror do jeito que Aronofsky tem prazer em fazer! Tirando o blockbusterNoé” (2014), que pouco tem a ver com a característica de suas obras, a linha narrativa de um “trem desgovernado ladeira abaixo” é igual aos outros: “Pi”  (1998), “Requiem para um Sonho” (2000) e “Cisne Negro” (2010).

Aqui Javier Bardem interpreta um homem angustiado que “precisa” finalizar sua grande obra literária trancado em seu velho casarão no meio do nada. Mas é  Jennifer Lawrence que segura o filme inteiro tentando manter a sanidade diante de tanta adversidade dentro de casa. Ed Harris e Michelle Pfeiffer fazem uma ponta que serve para estancar o estopim de todo o suspense.

O caráter crítico e religioso está lá e talvez, por ter ficado num patamar subliminar, não tenha gerado tanto alvoroço nos defensores católicos mais fervorosos, principalmente quando proíbem um filme de passar no cinema por não concordar com o ponto de vista do autor. Tirando isso, Mae! é um bom filme de horror que vai deixar você pensando bastante depois…

Nota: 7,5

O ponto de vista subjetivo de seus protagonistas delirantes, e a maneira sem medida como subordina o olhar do espectador a esse ponto de vista, são dois elementos centrais dos filmes mais provocativos de Darren Aronofsky. Quando o cineasta diz que fez Mãe! para “voltar às suas origens de Réquiem para um Sonho e Cisne Negro (uma declaração de quem visivelmente tem sua própria trajetória autoral em altíssima conta, porque no fundo Aronofsky nunca sai muito desse molde narrativo), ele faz referência a esses dois elementos combinados.

(…)

Justiça seja feita, novamente, Aronofsky sempre esteve muito à vontade na posição vaidosa do criador. Suas idiossincrasias visuais alcançam em Mãe! um novo estágio, e nenhum cineasta hoje na Hollywood “de prestígio” ousa combinar e filmar o cafona e o grotesco como ele. Mas, de novo, isso diz mais respeito aos gostos do diretor, seus impulsos e suas obsessões, do que propriamente às ficções que ele tenta construir e que raramente ganham autonomia além da estilização. Que demonstração mais desavergonhada de megalomania, recriar o Éden e a jornada de Maria, voltar aos temas bíblicos que marcam sua carreira desde o começo, mas desta vez se colocar frontalmente como a figura onipotente do Criador, inquestionável nas suas escolhas. (Omelete)

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