Desde a década de 70, adaptações para o cinema de contos e livros de terror de Stephen King sempre geraram bons lucros para indústria cinematográfica de Hollywood. Mesmo aqueles filmes B de baixo orçamento (“A Colheita Maldita” de 1984, “Sonâmbulos” de 1992, “Cemitério Maldito” de 1989) conquistaram seu público cativo, mantendo King em alta para outras diversas adaptações nas telonas, fosse para produção de filmes muito bons (“Louca Obsessão” de 1990, “À Espera de um Milagre” de 1999, “Um Sonho de Liberdade” de 1994, “O Iluminado” de 1980) ou para péssimas adaptações (“Montado na Bala” de 2004, “Celular” de 2016, “O Apanhador de Sonhos” de 2003, “Comboio do Terror” de 1986).

Para manter esse clima de altos e baixos, nesse mês tivemos dois grandes lançamentos: um ruim: “A Torre Negra” e o outro excelente “It: A Coisa“. Lembrando que em apenas uma semana de exibição It já está batendo todos os recordes para esse gênero, se tornando a quinta maior bilheteria dos EUA para maiores de 18 anos, nessa categoria.

Andy Muschietti tem poucos longas na bagagem como diretor, mas seu último trabalho em “Mama” chamou a atenção dos críticos, recebendo o convite para filmar essa obra prima do medo de Stephen King. O trabalho final é um excelente filme, que se passa em 1989, com todas as referências da década de 80, seja na cidadezinha característica de Joe Dante e Spielberg como em “Goonies” (1985), “Gremlins” (1984), “ET” (1982) ou “Poltergeist” (1982), assim como na trilha sonora de Benjamin Wallfisch , assustadora como os filmes de gênero da época e muito bem desenvolvida!

Mas o cuidado do diretor em colocar essas referências nos mínimos detalhes é apenas uma composição da história, pois a narrativa em torno da amizade entre os garotos é que sustenta todo o filme com momentos de puro terror, onde o expectador gruda na cadeira ou em algumas tiradas cômicas (no tempo certo) para compor o ótimo roteiro.

Para os fãs do livro, o filme é bem melhor que a adaptação de 1991, sendo esse o primeiro capítulo da saga. Para quem não viu a primeira versão (e não será preciso), mas adorou a série “Stranger Things” (2016) da NetFlix, não vai se decepcionar com esse remake.

Talvez o único pecado sejam alguns exageros com efeitos visuais CGI utilizados em “Pennywise“, o que tira um pouco a originalidade dos movimentos do figurino, mas não atrapalha em nada os sustos e o horror que o palhaço provoca!

Nota: 9,5

As cenas mais impactantes de It – A Coisa se intercalam entre sequências de terror intensas e alívios cômicos imediatos. Em nenhum momento o filme de Andy Muschetti busca ser apenas um gênero, um tipo de experiência. A mistura entre horror e comédia dá uma cara aventuresca à adaptação, que mesmo com um elenco recheado de crianças e aparente leveza, explora problemas como abuso, luto e depressão – tudo isso embalado na figura de um novo Pennywise, tão assustador quanto o retratado por Tim Curry, há mais de 20 anos.

A ideia do roteiro, que tem dedo de Cary Fukunaga (True Detective), é explorar esses dilemas das crianças para construir a empatia do público com o Clube dos Perdedores. Diferente da maioria dos filmes do gênero, It toma muito tempo aprofundando a relação entre eles e apresentando a vida dos principais componentes do grupo. Nisso, o longa consegue, com a ajuda do ótimo elenco, criar uma afeição do espectador com cada um deles. Porém, por baixo da fofura e das piadas cheias de palavrões, fica claro quão difícil e problemática é a vida de cada um deles. E se o segundo ato se estende um pouco mais do que devia, o terceiro consegue concluir de forma satisfatória (e depressiva) a jornada dos garotos e seus medos.

A direção de Muschetti acerta ao não esconder as monstruosidades vindas do palhaço, assim como a brutalidade dos ataques às vítimas. E ainda que seja violento com crianças, o filme não ofende ou traz alguma cena desnecessária. Tudo está no lugar. A única ressalva fica para o uso exagerado de alguns efeitos de computação gráfica na movimentação do palhaço. Isso afasta a crueza com que ele é representado no restante do filme, pois a regra aqui é usar o close-up para mostrar a maquiagem bem detalhada, a saliva escorrendo e o sangue jorrando.

It – A Coisa não é uma obra-prima do medo. Isso, porém, não acontece por problemas de execução ou roteiro falho. Na verdade, essa nova versão tem uma suave aura de terror rondando um carismático grupo de crianças em busca de aventuras. E ao flutuar por diversos gêneros, o filme acerta em cheio em focar nos protagonistas e deixar que eles carreguem, ao lado de Pennywise, uma jornada memorável e de sentimentos conflitantes. (Omelete)

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. […] bem que It é um filmaço e que – para esse gênero – é realmente um fenômeno chegar numa cifra […]

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