Christopher Nolan demora de dois a três anos para dirigir um filme, mas quando faz é um verdadeiro mestre! Aqui temos um filme baseado em fatos históricos que se passa na Segunda Guerra Mundial, durante a evacuação de Dunquerque, quando quase quatrocentos mil soldados aliados ficaram cercados por tropas alemãs nas praias de Dunquerque na França.

Nolan não apenas dirige um grande filme, como assina também o roteiro e a produção caprichada que certamente irá concorrer com indicações de peso em premiações importantes do cinema como o OSCAR e o Globo de Ouro em 2018. Pode anotar aí: Filme, Direção, Edição (Montagem), Melhor Trilha Sonora, Figurino, Cinematografia, Direção de Arte, Efeitos Sonoros e Mixagem de Som e quiçá uma indicação para Ator Coadjuvante para Mark Rylance (novamente em um filme sobre guerra).

É um filme muito técnico? Sim, mas não tira em nada a qualidade de toda sua produção que está impecável. Depois de Batman: O Cavaleiro das Trevas  (2008), Interestelar (2014) e A Origem (2010), já estava mesmo na hora de Nolan levar um reconhecimento à altura.

A estrutura tríptica – acompanhamos simultaneamente soldados na praia por uma semana, um barco de resgate por um dia e o caça pilotado por Tom Hardy por uma hora – permite que Dunkirk transcorra inteiro como o clímax não-linear de A Origem, de tempo forte em tempo forte, dilatando momentos dramáticos com o sustento da trilha onipresente de Hans Zimmer. Do embarque de um pequeno veleiro civil às trocas protocolares de mensagens dos pilotos, pontos de partida da trama, tudo no filme é narrado com urgência pré-planejada.

Se essa urgência se justifica, se o artifício esvazia ou não o sentido da guerra, essas dúvidas ficam imediatamente emudecidas pela ação que Zimmer acompanha em eterno crescendo e que Nolan filma com sua generosa oferta de recursos, como os encaixes instalados para câmera IMAX na lataria do Spitfire. A boa parte dos personagens cabe o privilégio de assistir à ação, coadjuvantes funcionais catatônicos como o coronel vivido por James D’Arcy, que está no filme apenas para ouvir Kenneth Branagh explicar o contexto da Segunda Guerra.

Se o filme de Nolan não encontra uma conclusão que o justifique, talvez seja porque o espetáculo é uma justificativa em si mesmo. Não há nada de errado nisso. James Cameron gastou os tubos recriando o horror do Titanic com o mesmo impulso sádico de Dunkirk, mas tinha plena noção do valor da história que contava e do gênero a que se filiava, e as fantasias do seu melodrama sulista ajudavam a evitar, pela espetacularização, a frontalidade da morte. Já em Dunkirk não há escapismo possível; de todos os instrumentos ao alcance de Nolan a fantasia nunca foi um deles. (Omelete)

Para entender mais a historia por tras do filme, a revista Super Interessante fez excelente post no seu blog Conta Outra

Nota Cinectus: 8,5

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