Quando o primeiro trailer do novo filme do Cabeça de Teia foi divulgado, você leu aqui no Cinectus nossa expectativa sobre o filme Homem-Aranha: De Volta Ao Lar (2017) ou Reboot 3x pode pedir música no Fantástico?

E em grande parte o filme corresponde à expectativa. O bom elenco não decepciona, especialmente o protagonista Tom Holland e o vilão Abutre de Michael Keaton.

Efeitos especiais, coreografias de luta, continuidade em relação aos filmes anteriores e a tradicional ponta de Stan Lee – tudo dentro do padrão de qualidade Marvel.

Mas o padrão de qualidade Marvel infelizmente vem acompanhado de dois erros frequentes do estúdio: o dogma de que todo o universo Marvel gira em torno da Iniciativa Vingadores e a mania de descaracterizar os personagens ao transporta-los das HQs para a tela grande.

No longa de Jon Watts, Tia May não é uma vovó fisicamente frágil mas que na verdade é o porto seguro de Peter. O melhor amigo dele não é o problemático Harry Osborn. A paixão platônica do herói não é nem Mary Jane nem Gwen Stacy. Ele não estuda em uma escola normal onde sofre bullying por ser nerd – na verdade a escola está repleta deles. Inclusive Flash, que não é um atleta fortão e popular na escola, mas sim um nerd paparicado. Continuando a descaracterização, o Abutre não é um engenheiro genial que se torna um super vilão cruel e Shocker não é um perigoso assaltante de bancos.

Se ao menos as alterações tivessem tornado o roteiro melhor, seria justificável. Mas não é o caso, é a mudança pela mudança – como se ser fiel à obra do genial Stan Lee tirasse valor do roteiro.

O que nos leva ao segundo pecado do filme: o “Vingadorcentrismo“. Aquela sensação de que tudo que está acontecendo na tela é um preâmbulo do que será mostrado nos próximos dois filmes do grupo de heróis. As constantes pontas do Capitão América e menções a eventos dos dois primeiros filmes só não são maiores que a insistência em mostrar Tony Stark (Robert Downey Jr. – sempre perfeito no papel) como mentor do amigo da vizinhança de Nova York.

E o filme acaba gastando mais tempo com o “estágio para Vingador” do que com o grande atrativo do herói: como um adolescente consegue conciliar salvar metade de Manhattan de uma bomba a noite e ficar de castigo na escola no dia seguinte?

E se o fato do personagem estar na terceira versão não fosse déjà-vu suficiente, temos o Homem-Aranha salvando a vida de passageiros em um crucifixo impossível (como na cena do trem contra Dr. Octopus em Homem-Aranha 2 (2004)) e o pai de um de seus amigos na linha de fogo (como Normam Osborn em Homem-Aranha (2002) e o Capitão Stacy em O Espetacular Homem-Aranha (2012). Nova ideias, roteiristas!

Por favor não entendam essa crítica como totalmente negativa. O filme é muito divertido e vale o ingresso, mas um personagem icônico como o Aranha merece mais.

O filme é diversão garantida para crianças, adolescentes ou quem apenas curte filmes de super-heróis. Mas decepciona os fãs “de raiz” do aracnídeo.

 

Nota Cinectus: Para fãs da HQ (7,0) / Para quem apenas quer curtir um filme de herói (8,0)

 

Piada de Nerd 1: Já foi morcego em Batman (1989), homem-pássaro em Birdman e agora Abutre. Só falta a Michael Keaton dublar o próximo Angry Birds: O Filme (2016)

Piada de Nerd 2: Ao menos neste filme não vimos o Tio Ben morrer de novo. Ia parecer O Jason ou os pais de Bruce Wayne – que todo filme morrem.

Piada de Nerd 3: A piada com o Capitão América nos créditos finais do filme é fraca, bem fraca.

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Cinema, Criticas