07/05/2017

Corra! [Crítica]

O ator Jordan Peele, mais conhecido do público americano por participar de comédias e paródias, arrisca e acerta como diretor e roteirista no seu primeiro filme de suspense/terror.

A história acompanha um final de semana na vida de Chris (Daniel Kaluuya), um jovem afro-americano que visita a propriedade da familia de sua namorada Rose (Allison Williams). A princípio, Chris vê o comportamento exageradamente hospitaleiro da família como uma tentativa desajeitada de lidar com a relação interracial da filha, mas, no decorrer do final de semana, uma série de descobertas perturbadoras o levam a uma verdade que ele nunca poderia imaginar.

As questões raciais chegam embutidas dentro de um enredo bacana, mas que pouco se desenvolve. O suspense macabro permeia o ambiente e deixa o espectador atento até o fim. Mas para aqueles que assistiram “A Chave Mestra” (2005), não há como disfarçar algumas semelhanças, que aqui ganharam outra roupagem!

Nota: 7

Corra! funciona bem e não descamba para a paródia porque Peele consegue manter, por boa parte do filme, um equilíbrio ideal entre a comicidade e o estranhamento. O roteiro escolhe transformar a história de resistência de Chris em uma jornada sociomotivacional – no melhor estilo deixe-a-TV-e-vá-ler-um-livro – mas isso não tira sua eficiência e sua capacidade de provar, por conta dos absurdos que o filme nos desvela, como a realidade de jovens negros em qualquer sociedade, e não apenas a americana, pode se transformar em um filme de terror no dia a dia.

Como todo comediante, Peele pensa anedotas a partir da punchline, e a contação de uma piada não é nada mais que uma grande preparação para o seu desfecho. Com Corra! não é diferente, e embora a capacidade de invenção do filme se esvazie no terceiro ato (quando acaba o mistério, vai-se também o potencial de subverter expectativas), o final é impagável. Fica a impressão mesmo de que Peele fez um filme inteiro só pela oportunidade de usar aquele final, e é curioso saber que o desfecho mudou por conta de testes de audiência. Mudaria o impacto, mas o sentido seria o mesmo: o pavor de viver sem segurança. (Omelete)

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Cinema, Criticas

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