Antes de mais nada, é bom relembrar o auê que causou o livro ao ganhar o prêmio britânico (Man Booker) em 2002. À época da premiação, Yan Martel foi acusado de plágio, por sua história ter muitos pontos similares a um conto do livro “Max e os Felinos”, do escritor gaúcho Moacyr Scliar. Nele, um adolescente judeu foge da Alemanha nazista em um barco e, após o seu naufrágio, ele encontra-se perdido no oceano dividindo um bote com um jaguar. Posteriormente, Martel admitiu ter se baseado na mesma premissa do livro brasileiro e inseriu uma nota de agradecimento no prefácio de sua obra.(Wikepedia)

Numa entrevista posterior, Scliar conta porque decidiu não entrar com nenhum processo contra o escritor. Veja a história contada pelo próprio Scliar aqui.

O diretor Ang Lee, depois de seu primeiro sucesso em Hollywood em 1996 (“Razão e Sensibilidade“) trouxe um estilo oriental de contar uma boa fábula (“O Tigre E o Dragão “, 2000). Quase destruiu uma franquia de quadrinhos (“Hulk “, 2003) e foi fundo na história de dois Cowboys apaixonados (“O Segredo de Brokeback Mountain “, 2005). Aqui o diretor acertou a mão com este belíssimo filme, que concorreu a 11 oscars na época e levou 4.

A relação de Pi Patel (Irrfan Khancom Richard Parker (o tigre), que envolve respeito, medo e companheirismo, não para de evoluir e é difícil imaginar como ela vai acabar. Sobre o tigre, é preciso dizer também que é impressionante o grau de realismo do animal, que foi recriado digitalmente em quase todo o filme na época.  (Omelete) Ano passado tivemos outros animais bem bacanas e realistas em “O Livro da Selva“(2016).

Na categoria de Melhor Diretor, Ang Lee foi o que chegou mais perto de tirar a estatueta de Spielberg, sem dúvida! Foi um trabalho incrível! Como roteiro Adaptado, o filme pecou no final onde a história poderia ser melhor trabalhada em flashbacks, o que deixava “Argo” mais perto de ganhar nessa categoria.

A trilha sonora é digna de um filme desta proporção e sabe a hora certa de entrar em cada cena, não apelando para o “patriotismo americano” todo tempo, como  John Willians fez em “Lincoln” (2012)

Em efeito visual,  o tigre de bengala, se não estava perfeito era o melhor efeito que tínhamos para o cinema na época. Fora as tempestades no oceano, e o próprio oceano em si, todo feito em estúdio. A Fotografia é fantástica, realmente espetacular, e levaria fácil dos outros concorrentes ao OSCAR desse ano!

Resumindo: É um filme sobre medo, respeito, maturidade e sobrevivência entre os protagonistas. O final poderia ser melhor explorado, mas não tira a magia de assistir ao filme. Em 3D a imersão é maior, pois há momentos em que você parece que está dentro do barco com eles. Não é um filme fantasia como “A Invensão de Hugo Cabret” (2012), está mais para “Náufrago” (2000) e qualquer outro filme de amizade solitária entre um homem e outro animal selvagem, com uma diferença: contado de forma adulta, e não infantilizada!

Vale a pena assistir!

Nota: 8

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Participe da conversa! 1 comentário

  1. […] estava à altura de seu “colega” do ano, que usou o oceano como pano de fundo:  “As Aventuras de Pi“. Os efeitos especiais convencem e deixa o espectador tenso a cada tubarão que aparece na […]

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