É uma verdadeira decepção ver um trailer tão promissor não entregar nem metade do  grande filme de aventura que foi vendido. O diretor Yimou Zhang (“Herói“, 2002 e “O Clã das Adagas Voadoras“, 2004) é um mestre em trabalhar com cenários, coreografias e efeitos especiais espetaculares para o cinema oriental. Contudo, parece que houve influência demais de clichês e roteiro meia boca no pior estilo americano, que usam e abusam quando querem fazer filmes para TV numa “sessão da tarde”, tipo a “A Lenda” (1985).

Não há a menor preocupação com a narrativa ou envolvimento mais profundo dos personagens. Fico imaginando o que passou na cabeça de Matt Damon para aceitar fazer um filme desses ($$$), nesse momento da carreira não parece fazer muito sentido. Mas uma coisa é certa: os produtores chineses estavam com dinheiro para gastar (U$ 150 milhões) e tinham como objetivo conquistar o ocidente. Alguns especialistas apostam que até 2020 os asiáticos ultrapassem os EUA na produção de filmes.

Além do muro

É bem verdade que a reunião utópica entre as culturas poderia ser limada sem prejuízo algum à história. Damon poderia ser substituído por Jet Li, por exemplo, no posto de salvador da pátria. Mas não é este o ponto. Escalar um ator tão boa praça – e de boa vendagem – como Damon é um passo até que óbvio para essa abertura . “Da maneira como o mercado está agora, nós não podemos fazer um filme de sucesso internacional sozinhos. Se não tivéssemos Matt Damon, se não falássemos inglês, então seria apenas um filme puramente chinês”, resume Zhang em entrevista citada pelo The New York Times.

Os esforços de entrosamento foram equivalentes. Damon se mudou com a família para a China durante seis meses. Uma centena de tradutores trabalhou diariamente nos sets de filmagem, já que nem toda a equipe chinesa falava inglês. Caso do próprio Zhang, que orientou dessa maneira seu elenco internacional: Damon, Pedro Pascal (de “Narcos” e “Game of Thrones”) e Willem Dafoe.

Hollywood já tem tentado agradar às plateias da China gradualmente, com personagens e referências aqui e ali. Mas o caminho inverso é bem mais direto. O grupo Dalian Wanda comprou o Legendary Entertainment no ano passado. Além de “A Grande Muralha”, a empresa, fundada em 2005 e parceira da Warner Bross, lançou filmes como a trilogia “Batman” de Christopher Nolan, além de “Inception” e “Interestelar” do mesmo diretor, e “Pacific Rim”, de Guillermo del Toro.

O mesmo grupo chinês também tem agora o controle de grande parte dos exibidores nos Estados Unidos, após comprar, no ano passado, a rede Carmike Cinemas, que se juntou à AMC Theatres, adquirida em 2012, como mais um empreendimento deles. (Gazeta do Povo – Caderno G)

Nota:  5,5

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