Paul Verhoeven tem uma maneira bem diferente de mostrar a “força” de uma mulher. Logo de início a cena de violência pode chocar alguns espectadores, mas as coisas vão ficando mais claras durante o filme e novas evidências vão aparecendo na história para justificar o comportamento da personagem Michèle Leblanc (Isabelle Huppert) e a forma como ela consegue encarar toda a situação.

Verhoeven ficou muito em evidência na década de 90 com “Instinto Selvagem” (1992), trazendo uma Sharon Stone forte, manipuladora e sedutora no papel de uma psicopata.

Aqui, o limiar entre a razão e a loucura de sua personagem é tênue a ponto de não deixar explícito o que realmente se passa em sua mente. É um filme para ser classificado como drama, mas o mistério trasforma os acontecimentos em um triller bem equilibrado, com tons de humor negro.

Isabelle  está excelente, sua atuação lhe rendeu o último Globo de Ouro como Melhor Atriz de Drama, além de Melhor Filme em Língua Estrangeira. É quase certo dela ser indicada ao OSCAR 2017 e o filme também na mesma categoria.

A princípio tal premissa parece extremamente ofensiva, algo contrário a todo o empoderamento feminino pelo qual batalha-se hoje. Mas Verhoeven é um mestre como poucos… e da sua aliança com Ruppert sai um filme memorável.

Dessa ideia controversa ergue-se uma heroína formidável. Da brutalidade e humilhação não brota uma mulher vingativa – este não é Kill Bill – mas alguém que, ainda que se sinta ofendida, usa sua nova realidade para fazer mudanças. Ao ver-se privada de seus direitos, a protagonista se enrijece em sua determinação por controle, e fica mais feminina no processo.

Baseado no romance Oh…, de 2012, de Philippe Djian, Elle é preciso, incisivo e cuidadosamente costurado, com doses equilibradas de humor negro e sarcasmo que Ruppert entrega intensamente. É Verhoeven em um dos melhores momentos de sua brilhante carreira. (Omelete)

Nota: 7,5

Filmes com perspectivas diferentes: “Erin Brochovith” (2000), “A cor Púrpura” (1985), “Transamerica” (2005), “As Sufragistas” (2015)

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